Prefeitos que desviava dinheiro de merenda escolar são todos do PSDB.

Prefeitos que desviava dinheiro de merenda escolar são todos do PSDB.

Prefeituras paulistas são suspeitas de desviar dinheiro de merenda escolar Contratos eram superfaturados; agentes públicos recebiam propina em troca. Gravações mostram ordem para trocar carne da

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Prefeituras paulistas são suspeitas de desviar dinheiro de merenda escolar
Contratos eram superfaturados; agentes públicos recebiam propina em troca. Gravações mostram ordem para trocar carne da merenda por ovo.

Uma operação da Polícia Federal mirou prefeitos e ex-prefeitos de cidades paulistas. Eles são suspeitos de desviar milhões de reais da área da educação.

A pasta azul estava cheia de envelopes. Dentro deles, maços e mais maços de dinheiro. E quando o agente abriu a mochila...

“Mais dinheiro”.

Quase R$ 600 mil que estavam na casa do secretário de Governo de Mauá, na Grande São Paulo. João Gaspar foi preso em flagrante. Assim como o prefeito de Mongaguá, Artur Parada Prócida, do PSDB, que tinha em casa R$ 4,6 milhões.

Eles foram alvos da Operação Prato Feito, que aconteceu nesta quarta-feira (9) em São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal.

Segundo a investigações, 30 prefeituras paulistas são suspeitas de desvio de dinheiro do governo federal destinado à compra de merenda escolar, uniformes e material didático.

A fraude começava com um empresário procurando um lobista, que entrava em contato com a prefeitura. Depois, os agentes públicos favoreciam as empresas no processo de licitação. Os contratos eram superfaturados. Em troca, os beneficiados pagavam propina.

“Ao todo, o valor desses contratos movimentou mais de R$ 1,6 bilhão. Há suspeita de envolvimento de 85 pessoas, entre elas 13 prefeitos, quatro ex-prefeitos, 27 funcionários públicos, um vereador e 29 empresas”, disse o delegado Marcello Ivo de Carvalho.

Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça mostram como os empresários investigados davam sugestões para alterar o cardápio da merenda.

Homem: Não põe carne.
Mulher: Não servir carne no dia?
Homem: É, ué, põe ovo.

Foram três anos de investigação. Depois de analisar as interceptações telefônicas e quebrar sigilos bancário e fiscal dos envolvidos, a Polícia Federal pediu a prisão temporária de 62 pessoas entre empresários, lobistas e agentes públicos. A Justiça negou o pedido, mas determinou que 16 suspeitos sejam afastados da função pública e proibiu as empresas investigadas de participarem de novas licitações com o setor público.

A delegada Melissa Maximiano Pastor, que comandou as investigações, ficou chocada com o que as empresas faziam para ganhar dinheiro.

“Nós tivemos registro, ao longo desses anos, de fornecimento às vezes no lanche para as crianças de uma bolacha maizena com leite diluído. As crianças elas podiam repetir os alimentos, as refeições várias vezes. E por conta de as empresas desviarem recursos em benefício próprio e de agentes públicos, elas passaram a receber um prato feito”, disse ela.

A defesa do prefeito de Mongaguá disse que a apreensão do dinheiro vai ser explicada às autoridades.

A defesa de João Gaspar, do PRB, declarou que vai pedir a liberdade do cliente na quinta-feira (10), na audiência de custódia, porque é possível pagar fiança.